sábado, 29 de janeiro de 2011

Mais que verbal....Animal...

A leoa do pântano

Um canto de pássaro soou sobre o pântano e eu fiquei feliz, tanto tempo sozinho e ela voltou. A minha coruja voltou e eu fui logo para o nosso lugar preferido na varanda.

O sol brilhava forte, por isso a coruja pousou em um cantinho do telhado. Sem fazer barulho para não assustá-la eu sentei na varanda colocando os pés sob o sol quente apreciando o calor gostoso que trazia uma sensação inexplicável. Vendo a coruja olhando fixamente para mim eu comecei a conversar com a ela:

- Sabe coruja! Tudo aqui continua igual. A noite os sapos fazem serenatas para suas amadas, me matando de saudades da minha amada. As formigas caminham em suas trilhas levando as folhas verdes e eu fico horas com elas, observando detalhes do seu trabalho e enquanto elas colhem as folhas eu planto novas flores todo sujo de terra.

Eu sou um apreciador da natureza, do verde vegetal, das cores variadas dos insetos e das luzes naturais. Pensando nas luzes sou levado para perto da lua, olhando o piscar dos vagalumes velozes e a estrela cadente tentando com sua luz correr atrás deles.

Eu olho para a coruja e ela abre as asas arrepiando as penas, depois voa e pousa em meu ombro, permanecendo quietinha com os olhos arregalados atenta no que eu estou falando.

- Sabe coruja! Eu estava impaciente num dia de chuva sentado nesse mesmo lugar, apreciando com olhar cuidadoso a chuva caindo sobre as árvores e escorrendo pelas folhas encharcando o solo com grandes gotas. Vendo a terra encharcada resolvi plantar e fui para o jardim no meio da chuva. Enquanto eu plantava as mudas distraído no canteiro, senti a presença de alguém ao meu lado.

Quando eu olhei para trás, avistei uma leoa atenciosa me olhando. Ela tinha um cabelão dourado e ficou ao meu lado o tempo todo sem falar uma palavra, apenas se aproximou, sentou comigo no barro naquela chuva forte e ajudou a plantar. Plantamos rosas, margaridas, girassóis e nós fizemos um canteiro de morangos para enfeitar o solo do pântano com lindos frutos saborosos.

No momento em que eu falava com a coruja, a leoa entrou na varanda com seu grande cabelão dourado e um copo de suco na mão. Ela sentou admirada com a beleza da coruja e falou:

- Eu fiz um copo de suco para você leão. Que coruja linda! Posso tocá-la também?

- Claro que pode! Você é a leoa do pântano.

A leoa pegou a coruja cuidadosamente em sua mão, conversou com ela durante um longo tempo e ficamos apreciando a beleza do pântano todo colorido com suas flores lindas atraindo os insetos.

Paulo Ribeiro de Alvarenga

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