domingo, 12 de junho de 2011

Luar selvagem

A noite fria faz a minha pele arrepiar e a limitação do campo de visão desestabiliza a sensação de segurança, desta maneira temos a impressão de que alguém está nos seguindo e vai nos atacar a qualquer momento. O pior é nunca temos a certeza se o ataque será desse mundo ou do além, pois são criaturas que se aproveitam da escuridão para praticar o mal.

A noite clara trás uma grande lua prateada e essa sensação de medo me faz subir em uma árvore permanecendo quietinho em um galho, do qual consigo avistar a rua de terra sendo engolida pela escuridão densa da mata que me assusta fazendo barulho com o sopro do vento.

Os poderes da lua penetram na mata transformando tudo. Chegou à hora dos predadores saírem para a caça e essa insegurança me deixa em pânico. Mas quem é a presa? Nessa mata escura todos nos transformamos em presa! Cuidado!

A lua maldita lança seus raios em mim e meu corpo começa a arrepiar me transformando em lobo. Finco as garras na árvore e foco meu olhar selvagem na rua de terra à espera de uma vítima, meus olhos vermelhos parecem dois focos de fogo na escuridão e foi nesse momento que ela passou rapidamente como uma gata pela rua e sumiu na mata.

Saltei do galho e fui atrás dela, porém mesmo naquele negrume sombras passavam cruzando o meu caminho. Eu não conseguia definir se eram sombras das nuvens refletidas pela luz da lua ou uma emboscada espreitando a trilha de terra à espera de uma caça.

Num jogo de paciência permaneci estático apenas observando o movimento da mata e num piscar de olhos percebi a gata sair em disparada do seu ponto de camuflagem correndo rua de terra abaixo, logo atrás havia uma sombra a seguindo enquanto eu farejava no ar o cheiro gostoso dela, atento aos movimentos continuei atrás deles, mas mantendo uma distância segura com medo de ser uma arapuca tramada para me capturar.

A escuridão tem o dom de fazer os ponteiros do tempo caminhar lentamente em nossa percepção, com isso as noites parecem mais longas e o cansaço abraça o nosso corpo com braços fortes e quanto mais lutamos contra o sono piores ficam nossos reflexos.

Rapidamente a perdi de vista no meio daquela cortina de neblina misturada com a escuridão. A minha respiração ofegante e cansada diminuía o foco da minha visão e o vento forte e gelado apenas contribuía para atrapalhar a direção a ser tomada. Tanto tempo de perseguição e a noite começou a perder suas forças, assim pude avistar seu esconderijo.

Amanhecia e eu entrava no esconderijo da gata, já me encontrava frente a frente com ela e o dia clareava. Com os olhos fixos em mim ela se aproximou, tocou suas garras em meu rosto e chegou bem próxima da minha boca, eu sentia a sua respiração quente como se aquele lugar fosse o esconderijo do amor, porém eu teria chegado tarde demais.

As gotas de sereno começaram a cair sobre o meu corpo funcionando como antídoto imediato contra minha magia, onde pingava e escorria as gotas o mundo paralelo perdia suas forças dando lugar ao mundo real e a forma humana reaparecia imediatamente. Eu apenas ouvia o som de sinos do lado de fora da gruta, nesse momento confuso apenas a vi correr rua de terra acima e sumir na mata dos sonhos.

Saí da gruta e encontrei uma vaca tranquila em sua caminhada do lado de fora. Ela parecia nem dar atenção ao ocorrido naquele lugar, abracei o lindo animal e caminhei com ele na estrada de terra escutando o tocar do sino amarrado em seu pescoço...Tilim...tilim...tilim...tilim.....

Tem alguma coisa oculta nessa mata, pois havia uma sombra seguindo a gata. Essa conclusão me deixou aflito e com medo sentindo que alguma coisa estava escondida e nos observando. Fiquei com medo sentindo meu corpo arrepiar e falei:

- Melhor sairmos rápido dessa mata....

Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

terça-feira, 7 de junho de 2011

O olhar da pantera querendo me devorar...
Num esconderijo gostoso...no escuro...na cama.....ela começa a me morder louquinha pra amar...louquinha pra me amar...beijos na boca da fera...

quarta-feira, 1 de junho de 2011

vermelha na roupa e no amor

O feitiço do bico do sapato me deixa vermelho.
O salto que te deixa mais elegante e sensual, me atrai para suas pernas.
Torneando-as com as mãos e subindo pela sua coxa avermelhada no reflexo do vestidinho vermelho.
Te encontro vermelha e também fico vermelho, sem jeito, mas com muita vontade de te catar de jeito, com jeito, até te deixar vermelhinha de tesão nas minhas mãos.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

EU QUERO VOCÊ PRA MIM!...

Pois te mereço, porque te quero
E é por você o meu apreço!
Eu quero você pra mim de qualquer
Jeito, incluindo todos!...
Eu quero você pra mim, pra mais
Ninguém, com muita alegria
E seus trantos arroubos!


*EURÍDICE CORREIA "ABELHINHA"

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Minha linda vampira


Não tenho sangue lhe ofereço vinho
Você se descontrola e perde os sentidos
na sua boca o gosto do vinho e na sua língua o gosto do tesão
O vinho te deixa com tesão
Seu tesão me deixa com tesão
você ao invés de me chupar morde
Eu sinto o calor do vinho na sua boca querendo meu sangue....beijossss
Vou tirar a sua calcinha laranja e te amar com tesão...tesão...tesão...beijosss


sábado, 21 de maio de 2011

VAMPIRA DE BALADA

Sorrateira por entre as sombras da noite,
Segue a vampira com seu cálice e sangria
À espreita de mais uma vítima de seu temível
E louco amor!
Em sua capa ,o blush, um batom negro 
E um kit completo de sua maquiagem sombria.
Maquiagem que não consegue disfarçar sua verdadeira
Intensão e malícia que compete a essas divinas criaturas
Que os homens "temem", chamada, mulher!
Some nas brumas da balada, escolhendo minusciosamente
Sua vítima(felizardo) lhe sugando a alma com suas presas de paixão!
Sua masmorra é cor de rosa, seus grilhões são colares
E seu caixão é um pequeno estojo de maquiagem!
Suas feições não são pálidas graças ao "blush" e ao contrário
Da luz do sol, o seu temor é o de se apaixonar e assim abandonar
Seus mistérios!


*EURÍDICE CORREIA ABELHINHA "GÓTICA"

sexta-feira, 13 de maio de 2011


A lua, a flor e o amor

Abandonado no mundo real, concreto e materialista, a essência do amor adquiriu novas formas e valores, enrijecendo as ações do romântico e deixando engessados os seus atos, nos quais a percepção da magia do amor desvalorizada esfriou.

A noite estava fria e o amor observando uma grande flor abandonada, sentou-se ao lado dela para discutir as mudanças nas relações, debate que gerou uma grande dúvida, que levou o amor a perguntar para a flor:

- Você acha que as mulheres ainda gostam de receber flores? Será que para elas as flores perderam o encanto, a magia e o extrato do sentimento abstrato que somente as flores têm o poder de entregar?

Observando a conversa estava a lua poderosa, brilhante e bela, mas muito curiosa, ela se aproximou dos dois e também participou da conversa por se tratar de um assunto de seu extremo interesse.

O amor olhou para a flor e ela estava chorando de tristeza, reação que fez o amor ficar mais frio, mesmo assim ele abraçou a flor tentando confortá-la e ouvindo a lua perguntar:

- Se para as mulheres as flores perderam seu encanto, o que será de mim? Não farei mais parte do amor? Servirei apenas para as histórias de terror? O brilho lunar ofuscou e a noite sem luz congelou solidificando os corações nos quais o amor não consegue mais infiltrar, transformando o amor em um sentimento artificial.

O amor olhou para a lua e falou:

- Precisamos fazer alguma coisa para que o romantismo não morra! O que será do romântico? Será que ele se extinguiu ou se tornou uma raridade? Tornou-se uma figura difícil de ser encontrada e tudo isso aconteceu por que não conseguimos desvendar a grande dúvida originada pela evolução das relações, que deixaram de ser estáveis e se tornaram superficiais:

Será que as mulheres ainda gostam de receber flores? Ou as modernas preferem chocolates que não é preciso sonhar para absorver sua essência, basta colocar na boca e sentir o sabor passageiro.

Como um bom romântico, trouxe flores para você. Pegue e feche os olhos. Sinta o sabor no coração e o perfume do amor entregue pela flor. No calor do amor a lua brilhará com mais intensidade iluminando o seu andar feminino na relação, fazendo o seu coração pulsar cada vez mais forte de felicidade.

Será que isso é possível ou o romantismo realmente tornou-se coisa do passado? Só o coração da gente e o amor pode responder.


ZZZZZZ pro C

Flores pra vc...beijossssss


quinta-feira, 12 de maio de 2011

METAFÍSICA

Caminhando sobre petalas 
Num outono fora de estação...
Pétalas desmembradas de um buquê,
De um romance, de um sonho
E daquele amor!
Pétalas despedaçadas como um coração
Que desgraçado sangra, chora e se consagra
Ao sofrer!
Caminhando sobre pétalas, indo na contra-mão
Da razão e seguindo a trilha do cortejo da esperança
Já agonizante!
Enlouquecendo com a metafísica dessas árvores
E se tornando um Deus sobre mares nunca dantes...
E daquelas rosas lhe são feitas coroa de espinhos
E daquela primavera só restavam as lembranças!
Caminhando sobre pétalas no inverno de tua ausência,
Morrendo na praia de um mar-de-rosas ao ver esse amor
Murchar!...


*EURÍDICE CORREIA ABELHINHA "GÓTICA"

sábado, 7 de maio de 2011

SEM O SEU AMOR

O que sobra, o que me resta...?!
Nada sou!...
Como um castelo de areia
Por onde ondas que passam
Como e com o tempo vêm e o desfaz!
Como uma gota de orvalho que evidencia
Em lágrimas, a noite que em si jaz!...
O que mais importa...?!
Nada mais interessa!...
O seu amor não era tudo, mas estava em tudo
Que fazia parte de mim!
Era esse meu vestido e o sabor no batom,
O arrebol da manhã e aquelas placas de sinalização!
O nosso amor era e será!...
Está nos meus sonhos e desaparece num piscar!
O que será do céu sem a estrela do brilho da nossa troca
De olhar...?!
Só me resta, torcer e acreditar, que se o amor é passageiro,
Que seja como aquelas ondas e que um dia também possa retornar!



EURÍDICE CORREIA ABELHINHA*

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Seu jeito gata (Contos de Baguaçu)

Essa cidade misteriosa situada na linha noroeste de São Paulo tem segredos ocultos em suas histórias que estão além da nossa crença e depois de escutá-las, precisamos ficar um bom tempo meditando e degustando seu conteúdo para compreendê-las.

A cidade parece se esconder no mapa sendo apenas encontrada pela estrada, desta maneira escolhe a dedo os viajantes que possuem o dom de encontrá-la, um ponto além da imaginação e uma vez escolhido você terá um passaporte imaginário para retornar e àqueles não escolhidos a entrada jamais será aberta.

Eternamente sentado à beira da entrada da cidade encontramos um velho contador de histórias, às quais afirma serem verídicas, pois foram presenciadas pessoalmente por ele, só não sabe afirmar a data do acontecido e nem sua própria idade. Ele parece ser os olhos daquela cidade forasteira.

O sol exageradamente quente emitia vapores do asfalto ao ar facilmente visto a olho nu, esse calor angustiante tornava aquela viagem insuportável e nesse momento de desespero avistei finalmente um local para descanso. Baguaçu! Há muito tempo eu não voltava àquela cidade estranha.

Logo na entrada da cidade avistei o velho contador de histórias sentado sob a sombra de uma grande árvore. Estacionei o carro, peguei dois copos de água fresca e sentei ao seu lado, onde começamos a conversar sobre a cidade.

Ele pouco falava. Suas palavras pareciam não fazer parte do presente e surgiam com dificuldade atravessando uma linha invisível do tempo, na qual se tornava um mediador entre o passado e o presente, por isso sua idade não revelada talvez seja a mesma idade da própria cidade, tudo que acontecera ali estava perfeitamente gravado e arquivado em sua memória.

Ofereci o copo de água fresca a ele e falei:

- Que sombra deliciosa!

Ele fez um momento de silêncio e falou:

- Tudo na vida tem uma história para ser contada e esta árvore também tem a dela, seu desfecho é inusitado. Preste atenção!

- Tantos anos passados, nem sei dizer quantos, por isso peço licença e permissão ao tempo para voltar atrás. Ainda me lembro claramente daquela noite de verão. Era quase outono, pois muitas flores já se despediam levando sua beleza embora para retornar apenas na próxima primavera.

O homem ficou pensante durante alguns minutos antes de continuar a contar o acontecido, depois continuou:

- Ela apareceu como uma intrusa naquela festa de verão. Caminhando leve como uma gata ela fazia seu vestido rodado voar e cativar o meu olhar transformando aquele encontro casual num jogo de posições em que ela é a gata e eu uma presa camuflada a espiá-la.

Seu jeito cauteloso e centrado de contar a história parecia me fazer enxergar tudo que o velho contava. Tudo naquele lugar parecia estar fazendo parte daquela história acontecida há tantos anos atrás e me levando junto àquele passado desconhecido. Ele continuou a contar:

- Todos pararam de dançar para vê-la entrar no salão dançando e transformando aquele momento num sonho, seu jeito de gata a mantinha distante dos olhares críticos, mantendo-a focada apenas em seu girar planado e leve.

- Meu silêncio se tornou observador para ver o amor dançando e me levando com ela em sua interposição de poder feminino.

- Essa situação momentânea do meu encontro com ela gerado por uma intervenção do amor me deixou cego, guiado apenas pelos seus passos, nos quais eu via apenas o amor girando com seus olhos cor de mel lançando seu veneno em mim, um tipo especial de veneno que me deixou sem reação, dominado e envolvido apenas pela emoção.

- A gata percebeu que eu a espiava e numa ação cautelosa ela se aproximou de mim brincando, encostando e me alisando com seus olhos venenosos focados em mim. Fiquei com os olhos amedrontados observando ela chegar cheia de intenções, me abordando manhosa, dengosa, gostosa e ansiosa por carinho.

- Aquele momento me arrepiou e ela percebeu minha ação insegura tentando recuar, então a gata poderosa e linda fincou suas unhas em minha pele doendo no coração.

De repente o velho deixou uma interrogação no ar, como se estivesse questionando a si mesmo: Como aquela gata poderia estar me vendo, se eu era o tempo e como o tempo eu era invisível, apenas sensível?

Aproveitei a pausa e também questionei: Como era essa gata faceira?

- Lembro-me perfeitamente daquele cabelo longo enfeitado com flores e agora sei perfeitamente como ela me via, pois ela era a paixão e tudo que estava acontecendo fazia parte de um momento, que é uma lente instantânea na qual o tempo fica totalmente visível, colocado desta forma perdi a minha invisibilidade.

Ela aproveitou-se do momento em que todos estavam de coração aberto e invadiu. Muitos dos que estavam presentes naquela festa morreram de paixão, outros ficaram loucos e eu permaneci no mesmo lugar em que ela me deixou.

- Tudo isso faz parte da história dessa árvore?

- Sim!

- Todas as pessoas saiam daquela festa com uma feição de extrema paixão. Do lado de fora a madrugada se enfeitava numa neblina densa, na qual a vegetação se confundia entre romântica e assustadora, talvez a paixão também seja assim.

Ela foi a última a sair. Segurei a sua mão e perguntei:

- Posso levá-la comigo?

- Isso é impossível. Você não tem coração.

- Deixei o tempo passar um pouquinho e ela caminhando leve como uma gata foi penetrando na neblina sem olhar para traz, desapareceu bem neste lugar, porém antes de desaparecer deixou cair uma flor que estava enfeitando o seu cabelo. A flor deu origem a um pequeno broto ao qual dediquei meu amor e aqui encontro o seu carinho e a sua beleza, provando que a gata da paixão estava totalmente enganada, pois até o tempo tem coração e é nele que pulsa a saudade.

- Ela me acolhe em seu colo oferecendo sua sombra, quando quer me tocar lança suas folhas, por isso permaneço sentado ao lado dela, dando tempo para ela se enfeitar linda na primavera, porém os momentos que eu mais gosto são as madrugadas, nas quais nós ficamos sozinhos, nelas eu faço o tempo passar lentamente dedicando todo meu tempo a ela.

- Antes de você ir embora, repare como essa árvore tem o formato do rosto de uma gata.

Levantei para ir embora e realmente vi que aquela árvore parecia ser uma gata sentada e quanto mais eu caminhava e a distância aumentava, via plenamente que ele estava sentado ao lado de uma gata.

Entrei no carro, sai da cidade e continuei minha viagem.

Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzziiiiiipppppppppppp

domingo, 1 de maio de 2011

BICHO COMICHÃO

Chama das mais ardentes
Ou simples fogo de palha!
Fluídos trocados e perdidos,
Marca de beijo e até de navalha!
É desejo que se sente 
Mesmo contra a vontade!...
Desejo que quando não se pode,
Se tem, mas não se farta na saudade!
Fome, bicho comichão, faca e queijo
E comida na mão!
Chão onde pisa aquele amor
E desatento derrapa um motorista
Na contra-mão!
Desejo de grávida, poeta, masturbador
Ou menina boba brincando de bem-me-quer!
Que se faz presente mesmo com o seu objeto
Tão ausente!...
Que se faz verdade, mesmo quando só 
Uma fantasia!
Desejo aquela boca, aquele ser, aquele sol!...
Desejo aquele colo, seu bem, nunca o mal
Ou só um "bom dia"!


*EURÍDICE CORREIA "ABELHINHA"

terça-feira, 26 de abril de 2011


O encanto do canto

Coisas, coisas e coisas fazem a nossa vida rolar e tudo em nossa volta são frutos dos nossos próprios pensamentos, já que somos dotados de tão valiosa habilidade e a desperdiçamos inutilmente banalizando o que pensamos.

A imaginação é capaz de ultrapassar as barreiras do sonho, do impossível, do ridículo e dar uma oportunidade visual ao lado cego do mundo.

Que mundo é esse capaz de enxergar a imaginação e quem são as pessoas que habitam esse universo invisível?

Podemos dizer que seja um canto cheio de encanto onde o ser humano em seu inconsciente contrariando suas próprias vontades seja um formador de uma cadeia de labirintos mentais.

Em minha memória escuto o canto de uma sereia que um dia virou estrela e mesmo sem pensar ela continua presente no meu mundo, num canto profundo e inconscientemente fazendo meus olhos brilhar na busca de seu brilho permanecendo eternamente com os olhos elevados ao céu à sua procura. Naquele mar azul recheado de estrelas te procuro e só a encontro nas minhas memórias favoritas.

As palavras da minha poesia não rimam, nem brilham, apenas giram gritando comigo em meu labirinto, porém são mudas para esse mundo fechado que é um enorme labirinto de massa humana.

Ouço a sereia cantando distante! Me chamando! Seu canto de amor não faz parte do sonho e me faz acordar, correr para a janela e no meio da noite procurá-la naquele universo azul e escuro, iluminado apenas pelas estrelas com suas luzes distantes. Eu sei que você está escondida entre elas, piscando, brilhando e num momento inesperado risca o céu deixando um rastro momentâneo de luz, que guia meus olhos até você. Te vejo e fico feliz.

Tudo se passa num canto da imaginação, onde escuto o seu canto no nosso canto de sonhos, você canta me chamando e eu não encontro a saída do meu labirinto para encontrá-la.

As fotografias da minha memória levam a sua marca, marcadas me fazem sonhar e logo essa fronteira é ultrapassada, desta maneira a imaginação flui como uma chave de confiança entre nós, abrindo as portas para um labirinto imaginário, no qual na realidade nunca conseguimos entrar, apenas criar e apreciar.

Zippppppp

quinta-feira, 21 de abril de 2011

SE NÃO FOSSE VOCÊ...?!

Melhor não pensar, 
Não quero nem saber,
O que seria ou não seria
De mim sem você!
Teria o céu, as estrelas,
A mesma importância?!
Seria o mar tão azul
E o canto dos pássaros
Teria a mesma ressonância?!
Se não fosse você nem queira saber!...
O que seria de mim, qual seria o meu fim?!...
Se não fosse você não seria assim,
Não haveria um porquê!...
Tudo seria nada e as certezas não confirmariam!
Se não fosse você, tudo estaria errado
E soluções não adiantariam!...
Não seria poeta, não tentaria um poema!...
 Não arriscaria o amor ou qualquer outro tema!
Pois se não fosse você, eu não sei o que seria!...
Se não fosse você, eu não existiria!...


**EURÍDICE CORREIA ABELHINHA*

sábado, 16 de abril de 2011

Eu nem sonhava te amar desse jeito

Eu estava no meu carro seguindo por uma estrada solitária. Seguindo sozinho por aquele caminho e não cruzava com ninguém, seguia, seguia e nada, não aparecia ninguém.

As músicas tocando e eu entrando num transe, que me levou a uma viagem para buscá-la e trazê-la para perto de mim. O pensamento ficava batendo dentro da minha cabeça e às vezes parecia que ia explodir.

Parei perto de um brejo deserto, alagado e com uma mata rasteira, onde fiquei imóvel observando o namoro dos insetos, vendo gafanhotos namorando, libélulas no seu lindo vôo de amor, borboletas acasalando e escutando o brejo inteiro cantar o som do amor, uma melodia doce tão alta e forte que dava vontade de participar.

Sentei à beira do brejo envolvido por aquele clima romântico e comecei a viajar no meu pensamento, chegando a sorrir de felicidade quando pensava na boca maravilhosa que você tem com vontade de beijá-la. O sol estava forte e eu pensando no seu calor quente como fogo, um calor humano que me faz suar quando você me abraça aquecendo o meu coração.

Você é linda e eu gosto de me enrolar nos seus longos cabelos negros, mas de repente fiquei triste, pois estou nesse transe meditando minha paixão por você, mas não sei onde você está, nem sei se você me ama ou se ao menos pensa em mim.

A minha alma não aceita esse pensamento e me leva de volta para você, onde vejo seus olhos me olhando atentos e curiosos, querendo ver o que está passando com o meu coração, chega a contar as batidas e sentir o pulsar do meu sangue. Penso até que quer um pouco dele.

Eu sinto que você está aqui do meu lado e que não estou mais sozinho, pois a sinto tocar nos meus ombros, brincar nos meus cabelos e me abraçar com as mãos dentro da minha camisa para sentir a minha pele. Um momento em que senti o seu toque e seu prazer de me tocar.

Fiquei muito tempo sentado aqui e acho que adormeci, pois já está escuro e eu estou com frio, mas não quero ir embora, eu quero ficar com você, quero você nesse lugar onde reina o amor.

Olho para o céu azul todo estrelado, com a lua cheia de amor brilhando como louca enquanto você ficou do meu lado, cuidando de mim todo o tempo em que adormeci e no exato momento em que acordei a senti pular para dentro de mim e agarrar a minha alma com paixão louca, tão louca que aliviou o meu sofrimento.

Levantei e entrei no carro novamente decidido a encontrá-la, correr ao seu encontro e dizer que te amo pegando no colo com carinho e amor, saindo dessa estrada solitária.

Não vou perder mais tempo, agora vou ao seu encontro e nós vamos correr por essa estrada namorando, beijando e amando feito loucos alucinados pelo amor. Eu a quero por inteiro, corpo e alma, paixão, amor, carinho, desejo e sexo. Quero você brincando e sorrindo comigo, depois a quero mulher para matar todos os meus desejos.

Agora que estou com você, vou falar bem baixinho no seu ouvido, para você escutar e sentir com prazer: ”Eu nem sonhava te amar desse jeito... eu nem sonhava te amar e te amar... te amar e te amar”

Zip...Zip...Zip...ZzipperR.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

AQUELA NUVEM

Deve ser amor isto que estou sentindo,
Pensando e querendo?!
Deve ser amor o que estou pedindo,
Implorando e sofrendo?!
O que estou exalando, produzindo,
Falando ou dizendo!...
Deve ser amor o que estou passando
E em vão explicando o que nem eu
Estou entendendo?!
A escolha por aquele vestido, o sabor
Naquele batom; essa sensação
E até o meu jeito de andar!...
Deve ser amor aquela nuvem, aquele barco
Que vai, essa mesa de madeira e seu cheiro 
De jacarandá?!
Amor meu, seu, daquele e nosso de cada dia!
Amor poético, cristão, ágape e de fantasia!
Deve ser amor essa hora, naquele momento,
O que preciso e o que quero saber?!
Deve ser amor tudo isso mais o nada e se não for
Então é você!


 *EURÍDICE CORREIA ABELHINHA

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Quando eu pego essa gata no colo ela mia, arrepia
Se eu aperto ela fica dengosa, manhosa, gostosa
Eu beijo e ela encosta, se ajeita e se enrosca
Depois me arranha quando estamos na cama
Minha unica dúvida é se a minha gata realmente me ama
Mas o que eu posso fazer se sou apaixonado por essa gata linda.
Tô perdido de amor por ela.

terça-feira, 12 de abril de 2011

A GATA

A gata faceira e manhosa
Ronronando e carinhosa
Se enrosca entre as pernas
De seu dono!
Seu dono, o coração de quem ama
Seu cesto seu colo e o novelo o lençol
Onde se desenrola a paixão!
A gata que de telhado em telhado
Vagava vagaba sem rumo!...
Encontrava o leite deixado pelo amor
Que a transforma em dama de quem 
Antes a domava!
Gata que pertencia a uma bruxa
E aprendera seus segredos!
Arranca sussurros até da matilha
Que já não ladra mais e a deixa passar
E viver feliz o seu amor!


*EURÍDICE CORREIA ABELHINHA**

segunda-feira, 11 de abril de 2011

O tempo não pode apagar

Entre as páginas cansadas da vida um homem velho e sábio insistia em permanecer sentado com seus segredos num cantinho especial com uma carta amarelada pelo tempo dobrada e apertada em suas mãos. As palavras pareciam amadurecer com o tempo naquela folha de papel, enquanto o tempo fazia o mesmo com ele que passou sua vida tentando entender o verdadeiro sentido daquelas palavras capazes de ditar o seu destino.

Ele olhava a carta imaginando em qual seria os limites de um grande amor e porque o tempo não fez a sua parte de apagar aquele grande amor do seu coração, já que seria impossível recomeçar.

O homem insiste em tentar entender o conteúdo da carta e a abre novamente para reler e ela começa assim:

“ Hoje o amor é uma grande pedra alojada em meu caminho, não que eu não ame, mas preciso deixá-lo de lado por um tempo, depois volto para reencontrá-lo”

O tempo passou e a pedra envelheceu esperando por ela, uma espera longa entre a certeza e a dúvida sem o aval e o perdão do tempo, pois ele colocou em seu caminho muitos outros amores que passaram despercebidos.

Uma frase naquela carta que tocava profundamente seus sentimentos era essa:

“Vou passar a minha vida pensando em você”

A distância aumentava gradativamente com o passar dos dias, meses, anos e o tempo poderoso ficou equivocado em seus poderes, pois se julgou capaz de apagar o sofrimento, mas foi vencido pelo amor que não envelhece mantendo uma juventude forte e eterna.

O olhar cansado do homem percorre aquelas frases já decoradas de tanta leitura e chega ao final, onde havia uma frase em que ele já concluíra que estava escrito uma grande mentira:

“Meu grande amor, se eu não voltar com certeza um dia o tempo vai apagar”

Ele dobrou a carta com carinho e a guardou entre as páginas de um livro que contava a história de um amor eterno com a certeza de que é impossível esquecê-la, já que o tempo não consegue envelhecer o amor e sorriu, pois ele sempre fica feliz quando dedica seus pensamentos e seus carinhos a ela, depois releu uma frase que ele mesmo acrescentou ao final da carta:

“Mesmo distante carrego você comigo no coração e a certeza de que jamais seria capaz de te esquecer”

Zziiiipp

sexta-feira, 8 de abril de 2011

UM GRANDE AMOR

Um grande amor é do tamanho
De seus momentos!...
Eterno enquanto dure, perdure...
E terno quando não é sofrimento!
Um grande amor é menor do que 
O vão da solidão!...
Cabe num peito aberto, num poema
Em folha de caderno e na letra
De uma linda canção!


**EURÍDICE CORREIA "ABELHINHA"

terça-feira, 5 de abril de 2011

Uma poção de amor lançada no vento

Uma garotinha sentada com um livro em um banco sob a sombra de uma árvore em uma praça de um mundo distante está hipnotizada pelas palavras e tomada pela atração e o abraço de uma poderosa poção de amor.

Ela faz uma pausa para pensar e o vento revira as páginas polinizando-as com segredos doces e atrativos que vão aguçar e atrair os olhos e a curiosidade da menina pelo sabor e emoção que aquela poção de palavras misturadas proporciona.

Um olhar atento num frasco vermelho em formato de coração estampado na página a faz parar de ler e meditar. Ela passa o dedo na figura do frasco e o leva à boca lambendo na busca do sabor da tal poção encantada.

A natureza inspiradora a faz levar a mão ao rosto e tapar os olhos absorvendo o desejo de amar no coração. A intuição do bom coração a torna capaz de penetrar nas palavras. Chegar até o frasco com sua leitura profunda, abri-lo e provar seu conteúdo.

Aquela poção gostosa de amor guardada naquele frasco em formato de coração uma vez provada trouxe uma vontade insaciável a ela de amar o mundo. A intensidade do vento com a força extrema do amor desestabilizou seu controle e aquele amor selvagem trazido pelo vento forte fez as folhas amareladas do livro enlouquecerem e perderem o sentido, folheando-se instintivamente às vezes para frente e outras vezes para trás.

O folhear das páginas desorganizado fez com que ela perdesse o tal frasco. Ela arregalou repentinamente os olhos e voltou a ler o livro apressada e desorganizada à procura do frasco e quando o encontrou novamente, ele estava vazio. Ela não só provou a poção e sim tomou todo o amor para si, deixando o frasco vazio.

Agora o amor estava dentro dela e o tempo passava. O amor crescia e o mundo se transformava em um pequeno toque, uma palavra, um gesto e tudo se transformava em amor.

O poder do amor era tão forte que ela se sentiu envenenada pelas palavras do livro, se sentia picada por uma serpente venenosa enrolada e camuflada nas linhas da página e com o coração tão próximo não conseguiu evitar o bote que penetrou pelo olhar hipnotizado.

Repentinamente ela ficou amedrontada ao perceber que o livro estava acabando, pois já estava envenenada pela leitura e no momento final fechou o livro. Pensou! Meditou e jogou-o para o alto vendo as páginas sendo folheadas com a força do vento e concluiu que todos que lessem aquele livro terminariam como ela, transformado e envenenado pela poção de amor que foi colocada manualmente em cada palavra formando uma grande serpente pronta para dar o bote fatal.

Zippppppppppp...

segunda-feira, 4 de abril de 2011

A lua curiosa

Entre as nuvens a lua brilha, penso que seja de propósito, pois seus raios prateados são apenas para espiar o que os amantes do pântano estão fazendo.

Em cada raio de luar a lua espia e às vezes até fecha os olhos, porém não consegue esconder a curiosidade e deixa pequenos focos de luz atravessar entre os dedos.

A lua se esconde atrás das nuvens deixando o palco do amor no escuro. A cena toma forma pelos sons emitidos e a lua arregala os olhos com um grande foco de luz para ver como é o amor.

Na cena os corpos misturados perdem a forma, ambos lambuzados e se transformando em um só.

LUA NOVA DE CARAMELO

Com quem divido o que sobrou
Dessa lua de caramelo?!
Meia lua que ainda pouco era cheia
Mea Culpa, volta e meia nos encontros
E desencontros dessas palavras
Que não são o bastante para explicar
O amor
Lua dos loucos como são todos 
Os apaixonados lobos que lhe uivam!
E névoas que lhe encobrem quando 
Se dá um tempo numa relação!
Com essa lua de caramelo, aqueles dois
Fizeram um piquenique à beira de um pântano
Que sabiam ser habitado por serpentes
E outros perigos
Serpentes de pecados e rios de lágrimas
Que serpenteavam sem saber onde desaguar
E lhes afundava num abismo que pode ser
Um sentimento!
A lua de caramelo que formava e decorava o bolo
Daquele casal
Comprada de um vendedor ambulante e flutuante
Que passava pela estação espacial!
Aquele poético astronauta esquecera o ziper do peito
Aberto, entrando assim na órbita do sonho, onde tudo
Lhe foi possível
A lua de caramelo recheada de flores, versos, habitantes
E praças sem guerras e cheias de namorados!
Lua sem lado negro, sem lobisomens e da qual me sobra
Um pedaço do Bigbang de um coração partido!
Que recria com partículas de lágrimas que também sobraram;
Um novo banquete à luz de estrelas e olhares que se trocam à dois!




**EURÍDICE CORREIA ABELHINHA*

domingo, 20 de março de 2011

Seu jeito gostoso de amar

È como o amor da flor

No jardim do campo silvestre está uma linda flor esperando o amor e quando ela menos espera é abraçada pelo sereno, que chega silencioso e num beijo úmido faz ela arrepiar, mas o sol leva ele embora deixando a saudade apertar. A flor não desiste e continua linda esperando o sereno voltar trazendo seu jeitinho diferente de amar.

Você é ma flor linda e gostosa.

sábado, 19 de março de 2011

TE AMAR É...




Lindo, é isso, é aquilo, é perigoso,

É bom!

É saber a hora certa de falar,

De me calar, mas nunca a de beijar!


Te amar é o que melhor sei fazer

Depois de te desejar!

Te amar é o que é!...

Te amar é tudo

E tudo o que não sei explicar!

É Santo e profano, certo, errado

E engorda!

É saborear o seu hálito pela manhã,

Engolir suas desculpas, relevar suas falhas

E me curvar diante de sua importância(para mim)

Te amar é o que eu preciso, o que tenho

E o que me resta!

Te amar é loucura, te amar é minha sentença!

É o que sei e o que aprendí!

É a rebinboca da parafuseta, o ó do borógodó!

Te amar é...






*EURÍDICE CORREIA ABELHINHA**

quarta-feira, 16 de março de 2011

Eu era criança

Eu era criança

Sentamos na varanda, eu e meu querido Mano, começamos a relembrar a nossa infância. Como era diferente de hoje, tudo era criatividade e magia. Aquelas brincadeiras tão importantes para nós, ficaram no tempo. O que aconteceu? O que mudou?

A cultura passava por gerações. Pais, avós e crianças brincavam juntos e o tempo apagou.

È interessante o progresso, a comunicação, globalização, mas faz perder a criação, a interação e a compaixão.

Nós andávamos por esta rua sem pensar em nada.

Não sei! Como os vizinhos suportavam os nossos gritos de Tarzan, parecia um bando de macacos, mas a comunicação era perfeita. Pelo grito, sabíamos até se o amigo estava almoçando. Certo dia aconteceu um fato muito interessante nessa comunicação de macaco, o “Gil negão”, que estava em cima de um pé de caqui resolveu soltar as mãos para fazer uma comunicação e escorregou do galho, foi um barulho enorme no meio dos galhos e caiu de costas no chão. Lá de cima! Fiz um som de macaco para ver se ele estava bem. Escutei ele gritar: - Chega! Não falo mais a língua dos macacos.

A grande árvore que tinha na rua não aguentava mais o tanto que subíamos pelo tronco e descíamos pelos galhos.

Quando eu era criança, nunca andei sozinho. Eu tinha sempre um cachorro do lado, sou capaz de fazer uma relação de nomes como: Dick, Bidu, Sultão, Fera, Chorrinho, vou parar que vai encher a página. Fique claro que Chorrinho era o nome, o cachorro era grandão.

O futebol era coisa de louco, todo dia jogava a nossa rua contra a rua de cima, era cada briga de arrepiar, saia até pedrada, no dia seguinte, outro jogo, outra briga. Hoje, quando nos encontramos temos prazer de rever e conversar. Não é incrível o que o tempo faz.

Mano diz: - Você vai contar a história da pedreira Zipe?

- Não! Eu queria contar a época das marmitas. Conto?

- A história pode ser boa ou ruim, mas nunca vai ser uma história, se não for contada.

- Sabe mano! E eu pensava que os adultos eram inteligentes. Doce ilusão!

- Conta logo!

- Eu tinha nove anos e o Mano tinha seis. Meu pai era um cara ignorante aos extremos, não aceitava que quebrassem as regras impostas por ele. Confesso que ele tinha frases inesquecíveis. Preste atenção! Quando ele estava conversando com alguém e isso era lei, não podíamos falar nada, a frase era “conversar com vocês é o mesmo que dar bom dia a cavalo”. Quando ele estava fazendo um negócio falava: “Por cima de mim, só de helicóptero”, está última frase realmente é criativa.

Ele não comia arroz esquentado, tinha que ser feito na hora. Por isso, eu e o Mano caminhávamos nem sei quantos quilômetros para levar sua comida, e mais, tinha hora para chegar. No caminho nós passávamos por uma cidade chamada Taboão da Serra, lá tinha o morro do Cristo com uma escadaria sem fim, nós tínhamos que subir todo dia, não tinha outro caminho. O consolo era olhar a cidade lá de cima. Eu me sentia poderoso!

O texto já está muito grande, e como disse o Ziraldo “O menino maluquinho cresceu e virou um homem”.

Zipe! Você tem um som violento aqui no seu computador, amplificador e quatro caixas grandes, você gosta de som pesado, por isso que a música te domina.

Mano! A música tem que me dominar, me amar, dar carinho e paz, enfim ser uma companheira. Se ela parar, morre o contador de histórias. Chega!

Senhor! Obrigado por colocar esse cara na minha vida, para participar e compartilhar tanto dos momentos bons quanto dos ruins. Eu amo ele!

Estou cansado de escrever e carente, preciso beijar alguém.

Zipe não agarra! Beijar não! Não beija! Pára Zipe.....

Ziiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiippppppppppppppppppppp

sábado, 12 de março de 2011

O BOTO(O ENCONTRO ENTRE O RIO E O MAR)

Pisando a areia do rio,
Seus pensamentos são leves
Feito a brisa e se perdem 
com aquelas vagas.
Pensamentos distantes
Como aquele navegante
E o lindo horizonte, destino desse rio
E dos que se perdem de amor!
A areia é fofa e molhada.
Escaldante na parte mais rasa
Porém não se compara às chamas
Daqueles momentos de paixão!
A música da concha relembrava aquela dança
E até o arrepio daquele toque no seu!
O espelho d'água reflete o sonho
E o sal vem da lágrima, extraído da parte
Mais abissal de seu desejo!
Cada cristal de areia era um alicerce
Para a sua falta de chão.
Com cada "onda" que se vai, se esvai
A tarde e a sua solidão!
Até que um barco ancora e a princesa 
daquele castelo de areia sorrí.
E do barco sai o seu amor metade boto 
E metade real
Em sua mitologia cabocla para a eternidade
Daquele momento só deles!


*EURÍDICE CORREIA ABELHINHA

sábado, 5 de março de 2011

A menina silenciosa

O barulho ensurdecedor da chuva sobre o telhado chega a assustar com a intensidade e o volume de água caindo em um tão pequeno espaço de tempo. O barulho do vento impressiona fazendo da grande copa da árvore uma expressão de liberdade, como se ela estivesse correndo contra o vento e apreciando a delicia sensorial das gotas geladas da chuva de verão, numa atitude de carinho a chuva aumenta a intensidade de suas gotas fazendo de toda aquela cena natural da vida uma festa com riscos de relâmpagos entre as nuvens escuras e o som compassado e assustador de trovões que podem ser escutados por pessoas muito distantes.

Tão grande volume de barulho causado pela fúria da natureza faz o mundo silenciar para tentar entendê-la, chegando ao ponto de não ouvirmos uma palavra, nem risos, apenas silêncio focados na expressão natural do vento, da chuva, do clarão assustador dos relâmpagos e a aflição que arrepia quando a voz da natureza faz o mundo tremer com o poder do som de seus trovões.

Apenas o olhar dela focado na chuva domina sua razão mesmo quase perdendo a grande árvore de vista em tamanha tempestade, mas nem tudo nela é silêncio, pois como um intruso na cena o som do seu coração passa a fazer parte daquela harmonia e no contexto de tantas águas o que a natureza estaria sentindo para tanta fúria.

Curiosamente seu coração bate tão forte quanto a força torrente das águas sobre o mundo, talvez seja uma manifestação da natureza contra o amor do homem, que desvirtuado perdeu o poder de visão desvalorizando seu próprio espaço. Chegou a hora da união que parece fazer confusão para aqueles que estão vivendo, convivendo, observando e não entendendo aquele momento de união e o que está acontecendo.

Repentinamente a chuva para e a natureza faz silêncio, sem chuva, sem vento, porém o coração da menina continua batendo cada vez mais forte, mesmo a natureza poderosa silenciou para escutar as batidas fortes e pulsantes do amor silencioso da menina, que permanecia quietinha observando da janela da vida enquanto uma pequena lágrima de amor rolava em seu rosto espantado e lindo.

O silêncio foi quebrado pela lágrima de amor e a natureza se manifestou lançando pequenas pedras de granizo. Começou lentamente uma a uma e gradativamente foi aumentando seu volume, penso que a união da natureza e da menina tenha feito com que a natureza também sentisse a dor do amor e deixasse escapar em pequenas gotas de gelo.

A natureza não conseguiu manter o silêncio em suas lágrimas e fez um barulho enorme sobre os telhados inundando tudo com suas gotas geladas, aquela chuva torrencial de granizo não parecia ter fim e só parou quando a menina silenciosa colocou uma das pedrinhas de gelo na boca se unindo à natureza e oferecendo seu amor à vida.

A menina caminhava silenciosa sobre a rua coberta de pedrinhas de gelo, caminhava amando silenciosamente, um jeito silencioso de caminhar entre as pessoas e foi necessário se unir à menina para que a natureza entendesse o seu jeito silencioso de amar.

Um mundo silencioso, no qual muitos se unem para amar e lá está ela com seu jeitinho especial, uma menina especial e linda com sua fórmula de amor incompreendida por muitos, mas plenamente entendida e correspondida por quem compartilha seu carinho e seu amor.

Esse é o jeitinho dela amar. Como será o seu jeito de amar?

Zzzzzzzzzzzzzippppppppppppppp

sexta-feira, 4 de março de 2011

O VESTIDO DELE

Fui traída pelo meu vestido!
Um pedaço de pano, seda ou cetim
Porém bordado em glamour!
Um vestido que não foi o mais caro
E nem era o mais bonito!
Que me deixava um pouco gorda,
Mas que para ele estava na medida certa!
Fui traída pelo meu próprio vestido
Na cabeceira de nossa cama onde
Me descuidei ao deixá-lo!
Meu vestido se tornou um fetiche,
Um desejo e seu esplendor me ofuscou!
Ele o cheirava, o mascava, se masturbava
E me possuia apenas em seu louco prazer!
Naquele vestido eu fui Marilyn sobre o turbilhão
Daquele metrô!
Naquele vestido de uma Pombagira em sua rubra cor!
Ele já não me via ou queria  sem o vestido!
Ele preferiu o vestido com ou sem meu cheiro
E nosso amor era apenas um detalhe especial!



*EURÍDICE CORREIA ABELHINHA**