terça-feira, 5 de abril de 2011

Uma poção de amor lançada no vento

Uma garotinha sentada com um livro em um banco sob a sombra de uma árvore em uma praça de um mundo distante está hipnotizada pelas palavras e tomada pela atração e o abraço de uma poderosa poção de amor.

Ela faz uma pausa para pensar e o vento revira as páginas polinizando-as com segredos doces e atrativos que vão aguçar e atrair os olhos e a curiosidade da menina pelo sabor e emoção que aquela poção de palavras misturadas proporciona.

Um olhar atento num frasco vermelho em formato de coração estampado na página a faz parar de ler e meditar. Ela passa o dedo na figura do frasco e o leva à boca lambendo na busca do sabor da tal poção encantada.

A natureza inspiradora a faz levar a mão ao rosto e tapar os olhos absorvendo o desejo de amar no coração. A intuição do bom coração a torna capaz de penetrar nas palavras. Chegar até o frasco com sua leitura profunda, abri-lo e provar seu conteúdo.

Aquela poção gostosa de amor guardada naquele frasco em formato de coração uma vez provada trouxe uma vontade insaciável a ela de amar o mundo. A intensidade do vento com a força extrema do amor desestabilizou seu controle e aquele amor selvagem trazido pelo vento forte fez as folhas amareladas do livro enlouquecerem e perderem o sentido, folheando-se instintivamente às vezes para frente e outras vezes para trás.

O folhear das páginas desorganizado fez com que ela perdesse o tal frasco. Ela arregalou repentinamente os olhos e voltou a ler o livro apressada e desorganizada à procura do frasco e quando o encontrou novamente, ele estava vazio. Ela não só provou a poção e sim tomou todo o amor para si, deixando o frasco vazio.

Agora o amor estava dentro dela e o tempo passava. O amor crescia e o mundo se transformava em um pequeno toque, uma palavra, um gesto e tudo se transformava em amor.

O poder do amor era tão forte que ela se sentiu envenenada pelas palavras do livro, se sentia picada por uma serpente venenosa enrolada e camuflada nas linhas da página e com o coração tão próximo não conseguiu evitar o bote que penetrou pelo olhar hipnotizado.

Repentinamente ela ficou amedrontada ao perceber que o livro estava acabando, pois já estava envenenada pela leitura e no momento final fechou o livro. Pensou! Meditou e jogou-o para o alto vendo as páginas sendo folheadas com a força do vento e concluiu que todos que lessem aquele livro terminariam como ela, transformado e envenenado pela poção de amor que foi colocada manualmente em cada palavra formando uma grande serpente pronta para dar o bote fatal.

Zippppppppppp...

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